Melvin Entrevista: Vitor Cafaggi

E aí, pessoal. Tudo certo?

Essa semana eu comecei um trabalho diferente aqui na Geeks N’ Orcs. Eu estou entrevistando os profissionais envolvidos nos processos de publicação de nossos títulos: Game Designers, Ilustradores, Designers Gráficos, Editores, Revisores etc. Vou trazer pra vocês a impressão deles de como é trabalha com o mercado de jogos brasileiros e como foram as experiências de cada um.

Já na estreia, não poderíamos começar melhor: fiz uma entrevista com o Vitor Cafaggi, que ilustrou o “Por favor, não corte minha cabeça!”. Ele também é conhecido por seus quadrinhos autorais: Puny Parker, Valente e Duo.tone, este último com sua irmã, Lu Cafaggi. Além desses, foi, junto de sua irmã, roteirista e ilustrador das Graphic Novels MSP: Laços, Lições e Lembranças. Confere aí abaixo:

Melvin: Olá, Vitor. Tudo bem? Em primeiro lugar, parabéns pelo excelente trabalho. Vou aproveitar e já vou direto ao que o pessoal quer saber: o trabalho no “Por favor, não corte minha cabeça!” foi o seu primeiro trabalho no mercado editorial de jogos analógicos? E como foi trabalhar no jogo?

Vitor Cafaggi: Sim, esse foi o meu primeiro trabalho no mercado de jogos. Foi bem divertido trabalhar nele! A ambientação do jogo, fazendo referência a filmes de terror dos anos 80, é um cenário bem fértil pra trabalhar. Foi ótimo pensar nos detalhes de cada personagem, tanto visuais, quanto na personalidade de cada um. O assassino, por exemplo, foi massa criar o visual dele pensando que ele já morreu várias vezes, de várias formas diferentes, mas ele sempre volta. Tipo, o Jason mesmo.

Melvin: Nas ilustrações dos personagens, vemos diversas referências e diversas inspirações em personagens e modismos dos anos 80. Personagens como o Bocão, o Zeca, a Serena, às vezes nos parecem muito familiares, como se nós quase os conhecêssemos. Como foi o processo de criação desses personagens?

Vitor Cafaggi: Eu busquei referências na minha memória mesmo. Alguns trazem detalhes escondidos que fazem referências a filmes dos anos 80, tipo a tattoo do Zeca, ou a blusa xadrez dele, que remete ao personagem rebelde de Clube dos Cinco. Em outros eu pensei que a fisionomia do personagem pudesse remeter a alguém. Jaime, o monitor, pra mim, só podia ser um jovem Eddie Murphy. O Bocão é uma versão mais inocente do personagem do Jonah Hill em Superbad. A Tati tem um ar meio Buffy, a caça vampiros, justamente para que ela passasse um pouco o esteriótipo de patricinha desligada que o jogo pedia, mas ao mesmo tempo pra que ela fosse uma sobrevivente, que ela soubesse se defender.

 

Melvin: Apesar do tema mais “pesado”, o “Por favor, não corte minha cabeça!” é um jogo bastante tranquilo, com um gameplay leve para o tema. Você acha que a abordagem do tema feita pelo gameplay casa com as ilustrações menos carregadas em drama e mais cômicas dos personagens?

Vitor Cafaggi: Na época que desenhei as cartas, eu estava assistindo Gravity Falls. Desde o início, eu pensei que as ilustrações de cenário e de personagens podia ter um pouco daquele visual. De suspense, de mistério, e que não não fosse tão agressivo. Que não causasse estranheza, que fosse um visual mais amistoso… mais nostálgico, do que assustador. Acho que essa era a ideia do jogo. Uma homenagem a esses filmes que assistimos na infância, mas que não deveríamos estar assistindo por não ter idade pra isso.

Melvin: O meu personagem favorito do jogo é o Bocão, acho ele incrível. E para você, qual seu personagem favorito dentre os personagens do jogo?

Vitor Cafaggi: Eu gosto de jogar com o Bocão, ou uma das duas meninas. Acho que o Bocão é o favorito de muita gente. Já fiquei sabendo que uma moça ia tatuar ele! Não sei se ela fez mesmo a tatuagem no fim das contas.

Melvin: Por último, sabendo que o “Por favor, não corte minha cabeça!” foi o seu primeiro trabalho no mercado editorial de jogos e que foi um jogo muito bem recebido pelo público, gostaria de saber se você já tem novos projetos nesse segmento, que estejam em andamento ou em vista para um futuro breve.

Vitor Cafaggi: No momento eu tô ocupado terminando alguns projetos de quadrinhos. Mas tenho muita vontade de voltar a ilustrar jogos. Como eu disse antes, foi divertido trabalhar em Por favor, não corte minha cabeça. Fora que o resultado final do jogo ficou lindão!

É isso. E qual é o seu personagem favorito? Em qual jogo você gostaria de ver o estilo de ilustração do Vitor Cafaggi? Um jogo do Valente, já pensou?

Abraços,
Melvin, O Geek

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